O Poeta e os Lunáticos

“Gabriel Gale era um pintor e um poeta; a última coisa que lhe passaria ela cabeça é fingir ser detetive, ainda que dos mais privados. Calhara de ele haver resolvido vários mistérios; conquanto mistérios quase todos de natureza algo atraente aos místicos. Não obstante, uma ou duas vezes deu-se também de ele haver saído, à força das circunstâncias, de entre as nuvens do misticismo para a atmosfera mais fresca e revigorante do assassinato. Ora conseguira demonstrar que um assassinato fora de fato um suicídio; ora, que um suicídio de fato fora um assassinato; vez ou outra chegou mesmo a enveredar pelo estudo de ofícios recreativos tais como a falsificação e a fraude. Mas a conexão era, no geral, uma coincidência; ligava-se a algum ponto em que o interesse imaginativo que nutria pelas estranhas motivações e movimentos psicológicos do homem ocorrera de levá-lo — ou, ao menos, levá-los — até o limite (e às vezes além) da legalidade. E, na maioria dos casos, como o próprio aliás fazia notar, as motivações de assassinos e larápios eram perfeitamente sãs e mesmo convencionais.”

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